Por Nicolai H. Dianim Brion
É difícil definir o papel nas escolas de uma ciência cuja origem é relativamente recente, principalmente quando comparada às ciências clássicas, como a matemática ou a filosofia. Quase tudo em linguística ainda tem aquele cheiro de novo, especialmente em alguns campos de estudo a ela associados, como é o caso da sociolinguística, da psicolinguística e da neurolinguística.
As pesquisas mais antigas em algumas dessas áreas datam da década de 1940, ou seja, ainda estamos engatinhando no que diz respeito às amplas possibilidades investigativas que se colocam à nossa frente. Mesmo a linguística de forma tradicional, quer dizer, dissociada de qualquer outra ciência humana ou biológica, tem pouco mais de um século de vida.
Se ainda não há consenso entre os educadores sobre qual deve ser o papel hoje, nas escolas, de uma ciência milenar, como a filosofia, ou ainda, se a filosofia deve ou não ter algum papel nas escolas, o que dizer sobre a linguística?
O estudo da língua portuguesa no Brasil, tradicionalmente, sempre foi muito gramático, muito normativo. Até os dias de hoje sabemos que isso é prática comum. Diversos professores, notavelmente os mais antigos, ainda querem abordar a língua através da gramática normativa. Desejam que seus alunos decorem regras que, aos seus olhos, não fazem nenhum sentido, e que façam centenas de exercícios completamente descontextualizados. E quem pode culpá-los? Não foi assim que eles aprenderam?
Mudanças são com frequência motivo de desconforto, podendo até gerar traumas, se não forem bem planejadas e gradualmente implementadas. O professor “gramaticalista” recusa-se a conhecer novas teorias basicamente por dois motivos: por não dispor de tempo e/ou incentivo para buscar se inteirar das mais novas pesquisas em sua área do saber, ou, simplesmente, por não estar inclinado a alterar sua forma de trabalho, fruto de puro comodismo.
Os professores da nova geração, isto é, aqueles que tiveram oportunidade de estudar linguística mais a fundo ao longo dos quatro ou cinco anos de faculdade, costumam ser mais abertos e veem a necessidade de novas abordagens ao ensino de língua portuguesa nas escolas, segundo uma visão mais analítica e contextual, própria da linguística.
Embora esse seja um grande avanço, confessar a necessidade de mudança não é o bastante. O grande desafio reside em como promover alterações significativas no que está posto, ou, em outras palavras, como transportar o riquíssimo universo das teorias, debates e pesquisas mais recentes na área da linguagem, para a nossa prática docente, de modo que a fascinação e o interesse que sentimos ao ocupar as carteiras das universidades possam também fazer parte da vida dos nossos alunos.
Por que não trabalhar leitura, compreensão e produção escrita sob o enfoque da teoria dos Gêneros Textuais, de Marcuschi? Ou pela ótica da teoria da Tipologia Textual, de Travaglia? Por que não permitir que nossos alunos ao menos saibam que essas teorias existem e o que defendem? Por que não promover um momento de debate, para que então tenham condições de optar pela que melhor atende às suas necessidades?
Estudos como esses certamente contribuiriam de maneira muito mais eficaz para a formação de futuros cidadãos conscientes, críticos e aptos a enfrentar os múltiplos e complicados desafios da vida moderna, do que saber a classe gramatical de uma lista de palavras ou ecoar pelos seus anos de vida o som do preconceito linguístico.
Com enfoque no contexto SEMIÁRIDO cearense, este blog tem o objetivo de divulgar as idéias, as realizações, as pesquisas e as demais atividades do Grupo de Pesquisa formado pelos professores das ciências sociais, sociais aplicadas e ambientais do IFCE (Campus Quixadá).
segunda-feira, 17 de maio de 2010
domingo, 2 de maio de 2010
Quixadá: a cidade e sua natureza
Escrito por Alexandre Queiroz Pereira
Quixadá, situado no Sertão Central do Ceará, apresenta-se como cidade a partir do século XIX. Em meio à organização do seu traçado urbano, a cidade se envolve na formação de seu exótico e exuberante relevo. Marcada pelas feições ligeiramente planas da depressão sertaneja, Quixadá apresenta formas diferenciadas. Os processos produtores das formas terrestres, tanto internos como externos, esculpiram conjuntos de afloramentos rochosos de médias e elevadas altitudes que podem chegar a mais de 650 metros. Os Inselberg, denominação científica para os populares monólitos, integram-se a paisagem dos aglomerados urbanos distribuídos por todo o território municipal.
Da Sede, com seu patrimônio histórico, aos distritos mais distantes, os grandiosos paredões graníticos exibem-se com formas que levam o observador a viajar na imaginação. São exemplos a galinha choca, repousando e admirando, eternamente, a bela e centenária barragem do Cedro; a Pedra do Cruzeiro que oferece a todos uma visão panorâmica do Sertão cearense; assim como o morro do Urucum que sedia o Santuário Nossa Senhora Rainha do Sertão, lugar de paz e reflexão espiritual. Os monólitos são tantos e tão variados que no suspiro de criatividade pode reinventar e redescobrir aparências nunca imaginadas.
A Caatinga, às vezes densa, às vezes esparsa, promove junto a Cidade e aos Monólitos um habitat de seres vegetais e animais. Os vegetais demonstram firmeza e adaptação ao longo da estiagem, mas, verdejantes tornam-se ao sinal das primeiras gotas do céu. Os animais, lagartos, mamíferos e aves, encantam os olhares e ouvidos do espectador atento.
Os vários dias ensolarados e a intensidade da energia solar, proporcionada pelo regime do clima semi-árido, interagem com a atmosfera e com as condições geomorfológicas produzindo condições propícias tanto para as trilhas e caminhadas como também para a prática de esportes radicais nas alturas.
Em Quixadá, o Homem pode além de admirar a imensidão da natureza, reencontrá-la em si mesmo. Sem esquecer que além dos monólitos e da caatinga, Quixadá é feita da história viva de milhares de sertanejos.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
NOSSAS PESQUISAS - A INTERIORIZAÇÃO DO TURISMO: OPORTUNIDADES (D)E ADEQUAÇÕES
O professor Nicolai H. Dianim Brion, linguista, desenvolve atualmente pesquisa sobre o recebimento de turistas falantes de inglês pelos hotéis do município de Quixadá. Logo abaixo, um resumo de seus escritos:
A maneira de se desenvolver e trabalhar com turismo tem mudado, especialmente nas últimas duas décadas. Destaca-se a criação do Plano Nacional de Municipalização do Turismo (PNMT) pelo Governo Federal, em 1987, o que possibilitou o crescimento de atividades turísticas em diversas cidades do interior do país. Regiões antes tidas como inóspitas ou que apresentavam baixa viabilidade para o recebimento de turistas – como o sertão nordestino, com seu áspero clima semi-árido – vêm conseguindo apresentar bons resultados.
Entre as modalidades turísticas alternativas de maior notoriedade, temos o ecoturismo e o turismo de eventos e negócios. No estado do Ceará, exemplo prático de resultados positivos na área do ecoturismo é o município de Ubajara, cujo parque nacional atrai centenas de visitantes todos os anos. Os municípios de Tejuçuoca e Guaramiranga, por sua vez, são exemplos de sucesso na organização de eventos. Este com o já consagrado “Festival de Jazz & Blues”, enquanto aquele caminha firmemente para a consolidação do festejo “Tejubode”.
A cidade de Quixadá, no coração dos Sertões Cearenses, apresenta riquíssimo potencial turístico, em diversas modalidades – ecoturismo, turismo cultural, turismo religioso, turismo de esporte, apenas para citar algumas. Entretanto, sua enfraquecida infraestrutura urbana ainda representa um entrave ao pleno desenvolvimento desse segmento da economia. As dificuldades mais evidentes incluem um deficitário arcabouço de transporte e saúde, além de problemas mais direcionados à área do turismo em si, como a quase nula estrutura de agenciamento.
Diante do quadro ora exposto e havendo tomado conhecimento da presença de visitantes oriundos de outros países em terras quixadaenses, resolveu-se sair a campo e pesquisar, entre os maiores hotéis do município, de que maneira os turistas estrangeiros, especificamente aqueles falantes de língua inglesa (como língua nativa, segunda língua ou língua estrangeira), estão sendo recepcionados no tocante às suas necessidades linguísticas, isto é, se os hotéis dispõem de um aparato mínimo para bem atendê-los.
A maneira de se desenvolver e trabalhar com turismo tem mudado, especialmente nas últimas duas décadas. Destaca-se a criação do Plano Nacional de Municipalização do Turismo (PNMT) pelo Governo Federal, em 1987, o que possibilitou o crescimento de atividades turísticas em diversas cidades do interior do país. Regiões antes tidas como inóspitas ou que apresentavam baixa viabilidade para o recebimento de turistas – como o sertão nordestino, com seu áspero clima semi-árido – vêm conseguindo apresentar bons resultados.
Entre as modalidades turísticas alternativas de maior notoriedade, temos o ecoturismo e o turismo de eventos e negócios. No estado do Ceará, exemplo prático de resultados positivos na área do ecoturismo é o município de Ubajara, cujo parque nacional atrai centenas de visitantes todos os anos. Os municípios de Tejuçuoca e Guaramiranga, por sua vez, são exemplos de sucesso na organização de eventos. Este com o já consagrado “Festival de Jazz & Blues”, enquanto aquele caminha firmemente para a consolidação do festejo “Tejubode”.
A cidade de Quixadá, no coração dos Sertões Cearenses, apresenta riquíssimo potencial turístico, em diversas modalidades – ecoturismo, turismo cultural, turismo religioso, turismo de esporte, apenas para citar algumas. Entretanto, sua enfraquecida infraestrutura urbana ainda representa um entrave ao pleno desenvolvimento desse segmento da economia. As dificuldades mais evidentes incluem um deficitário arcabouço de transporte e saúde, além de problemas mais direcionados à área do turismo em si, como a quase nula estrutura de agenciamento.
Diante do quadro ora exposto e havendo tomado conhecimento da presença de visitantes oriundos de outros países em terras quixadaenses, resolveu-se sair a campo e pesquisar, entre os maiores hotéis do município, de que maneira os turistas estrangeiros, especificamente aqueles falantes de língua inglesa (como língua nativa, segunda língua ou língua estrangeira), estão sendo recepcionados no tocante às suas necessidades linguísticas, isto é, se os hotéis dispõem de um aparato mínimo para bem atendê-los.
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