sábado, 25 de junho de 2011

Unidades de Conservação e o Desenvolvimento Sustentável

Por Ana Cristina Fernandes Muniz*

Os recursos naturais são cada vez mais utilizados, a fim de proporcionar conforto e qualidade de vida para as diversas sociedades. Atualmente, busca-se a proteção destes, com o objetivo de proteger os recursos bióticos, bem como conservar os recursos físicos e culturais é nessa perspectiva que se utiliza as Unidades de Conservação (UCs) para a conservação dos recursos naturais existentes em determinado meio biótico.
Ao falarmos em Unidades de Conservação, se percebe que sempre vem a nossa mente um lugar qualquer com características naturais e de rara beleza. Afinal de contas, conceitualmente, o que define uma Unidade de Conservação. Conceitualmente falando, UCs são: “Áreas criadas por Lei com o objetivo de proteger o meio ambiente, podem ser terrestres, marinhas e estão na esfera federal, estadual e municipal”.
Historicamente a primeira Unidade de Conservação criada foi o Parque Nacional de Yellowstone, no estado de Wyoming nos Estados Unidos em 1872. Nessa época valorizava-se a natureza a partir de uma noção de pertencimento e também de prazer da contemplação estética. Depois de Yellowstone apareceram muito outros também alinhados na mesma concepção preservacionista da natureza.
Nesse período, na Europa, como era quase impossível falar de áreas virgens, os parques foram instituídos para a pesquisa da fauna e flora. Em princípio não havia uma definição totalmente aceita do que deveriam ser os objetivos dos parques nacionais, porém em 1933 em uma convenção em que participaram os principais países europeus (Portugal, França, Inglaterra, Alemanha, Itália e outros) estes objetivos foram traçados: Áreas controladas pelo poder público; Áreas para a preservação da fauna e flora, objetos de interesse estético, geológico, arqueológico onde a caça era proibida; Áreas para visitação pública.
Foi Rebouças entre 1893-1898 que se tornou pioneiro no Brasil na criação de Unidades de Conservação e se inspirou no Parque de Yellowstone (EUA) para criar Parques Nacionais no Brasil. Com o Código Florestal de 1934 se estabeleceu o marco legal da criação dos Parques Nacionais, o mesmo sendo revogado pelo Código Florestal de 1965. Essa Lei trabalhou com os conceitos de Parques Nacionais e Reservas Biológicas (de proteção integral) e florestas nacionais (para uso sustentável), e instituiu alguns conceitos básicos, como: Áreas de Preservação Permanente / APP e Reserva Legal / RL.
Foi em 1937 as UCs surgiram com os mesmo objetivos dos parques americanos, ou seja, os de proteger áreas consideradas virgens e de grande beleza paisagística para o deleite dos seus visitantes. Assim, o primeiro Parque Nacional foi oficialmente instituído em 1937 e se chamou Parque Nacional do Itatiaia.
No Brasil a Lei Federal n° 9985/2000 instituiu o SNUC - Sistema Nacional de Unidades de Conservação que, vem de encontro à regulamentação do Art. 225, § 1º, incisos I, II, III e IV da Constituição Federal. Neste sistema conceituam-se como Unidades de Conservação como um “espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais com características naturais relevantes, legalmente instituídas pelo Poder Público”. Encontram-se divididas em duas categorias: Unidades de Conservação de Proteção Integral e Unidades de Conservação de Uso Sustentável.
As Ucs de Proteção Integral tem na conservação da biodiversidade como principal objetivo, e possibilidade de uso indireto. Nesse caso, é proibido o uso dessas áreas para habitação, sendo permitidas apenas pesquisas científicas e o turismo ecológico controlado e são cinco categorias: Estação Ecológica; Reserva Biológica; Parque Nacional; Monumento Natural; Refúgio de Vida Silvestre.
Com relação às Ucs de Uso Sustentável nelas, se permitem formas de utilização dos recursos naturais, ou seja, uso direto da natureza, com a proteção da biodiversidade como objetivo secundário. Nessas áreas, procura-se manter os indivíduos residentes nas áreas, mas desenvolvendo formas de uso sustentável dos recursos e são em número de sete: Área de Proteção Ambiental; Área de Relevante Interesse Ecológico; Floresta Nacional; Reserva Extrativista; Reserva de Fauna; Reserva de Desenvolvimento Sustentável; Reserva Particular do Patrimônio Natural.
Conforme previsto em Lei somente o legislativo tem o poder de diminuir as dimensões de uma unidade de conservação apesar, dá ao povo o direito de opinar sobre criação dessas Unidades de Conservação, porém o direito de diminuí-las ou extinguí-las fica a cargo dos governantes.
Não resta a menor sombra de dúvidas que os conceitos e as formas de gestão das unidades de conservação evoluíram muito de alguns tempos até hoje, paralelamente as discussões a cerca do que é a Sustentabilidade Ambiental. As UC’s se apresentam como essenciais na busca pela preservação dos recursos naturais e surgem como uma ferramenta para projetos de educação ambiental e pesquisas científicas que desejam trabalhar de forma interdisciplinar fato este, que pode levar a sustentabilidade dessas unidades e não comprometer os recursos naturais existentes nessas áreas para, que a futuras gerações possam desfrutar desses bens naturais. Entretanto, para isso, precisam receber atenção e recursos devidos.

*Professora do IFCE – Campus Quixadá - Coordenação de Engenharia Ambiental - Doutoranda em Geografia (UFC) - Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA-UFC).

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Uma aula de cultura e ecologia em Quixadá



Publicado originalmente no sitio www.ifce.edu.br

O campus de Quixadá promoveu, nos dias 3 e 6 de junho, a IV edição do projeto Ecotrilhas. O primeiro dia do evento foi realizado na Fazenda Não me Deixes, onde morou a escritora cearense Rachel de Queiroz, no distrito de Daniel de Queiroz. Na atividade, 20 alunos do segundo semestre do curso técnico em Guia de Turismo conduziram outros 20 novatos do mesmo curso e, aproximadamente, 50 estudantes da Escola de Ensino Fundamental Francisca Teixeira, do distrito de Califórnia, por trilhas ecológicas na fazenda.

No segundo dia, foram percorridos caminhos urbanos pelo Centro de Quixadá. Entre os locais visitados, estiveram a Catedral Municipal, ruas históricas da cidade, a Praça José de Barros e o Memorial Rachel de Queiroz, localizado no Chalé da Pedra. A atividade integra a programação de aniversário do IFCE Quixadá, que completa três anos de fundação oficial no próximo dia 10 de junho.

Segundo o professor e geógrafo Alexandre Queiroz Pereira, um dos coordenadores do evento, o Ecotrilhas combina as dimensões de ensino e extensão, ao treinar futuros guias de turismo e, ao mesmo tempo, envolver alunos das escolas públicas, geralmente de baixa renda.

A estudante Samarya Dantas, 12, da 8ª série da Escola Francisca Teixeira, foi uma das mais empolgadas ao conhecer a fazenda e a coleção de livros da romancista. “Achei a visita muito inspiradora, a casa dela incentiva a gente a escrever”, empolgou-se. “Vou sair daqui mais inspirada”, confessou a adolescente, dizendo gostar de “inventar histórias”.

Imagem: Alunos conhecem casa onde morou Rachel de Queiroz (foto: Ícaro Joathan)

Ícaro Joathan - campus de Quixadá

quarta-feira, 25 de maio de 2011

DA CRISE A EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Por Lucas da Silva

A sociedade atual passa por uma profunda crise civilizatória de caráter ambiental, provocada pela relação desastrosa entre a sociedade e o ambiente. Com seu desenvolvimento petardo, a sociedade tem provocado cenários de escassez dos recursos naturais e de impactos ambientais profundos, comprometendo a sadia qualidade de vida da atual e das futuras gerações.
Segundo cálculos da pegada ecológica (refere-se à estimativa do tamanho das áreas produtivas de terra e de mar, necessária para gerar produtos, bens e serviços que sustentam o estilo de vida de cada um de nós), a humanidade está usando os recursos naturais renováveis 21% mais rápido do que a Terra leva para renová-la. Com esse quadro, seriam necessários os recursos de 1,21% planetas Terra para sustentar indefinidamente nossa produção e consumo atuais de recursos renováveis. Se continuarmos com esse ritmo de consumo e com a exploração excessiva dos bens naturais, chegaremos a um colapso ambiental.
A pergunta fundamental é: há como evitar esse eminente colapso ambiental? A resposta é simples: sim! Para isso, temos que repensar nossos valores e atitudes, e criarmos uma cultura preservacionista e conservacionista, cunhando hábitos e valores que visem o uso sustentável dos recursos naturais com solo e água, que consistem nos bens de produção, seja nos espaços urbanos ou rurais. Estabelecer uma cultura ambiental é criar novos mecanismos de adaptação cultural, que nos permitam voltar a um ponto de relação harmônica ente natureza, ou seja, um ponto de equilíbrio, que tínhamos anteriormente.
No entanto, para Rodriguez & Silva (2009), o mais importante instrumentos de adaptação cultural é a Educação, pois só ela permite transmitir as características fundamentais da cultura, das técnicas e tecnologias vitais para a sociedade, encaminhada, deste modo, assimilar as normas e conteúdos básicos para consolidar a cultura. É com a educação que conheceremos, descobriremos novos sentimentos, valores, idéias, costumes e papéis sociais.
A educação ambiental é um processo de aprendizagem relacionada à interação entre o homem e seu espaço, através de conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do seu meio. Visa também formar valores ambientais, ou ainda, “valores verdes” contrapondo aos atuais valores da modernidade.
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais, no ambiente escolar o aluno deve perceber-se integrante, dependente e agente transformador do ambiente, identificando seus elementos e as interações entre eles, contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente, sendo este o mais propício para a prática da Educação Ambiental. A Política Nacional de Educação Ambiental (E.A.) prevê obrigatoriedade da inclusão do ensino da E.A. no ensino regular de todos os níveis e modalidade de ensino, seja como disciplina regular ou de forma transversais.
No entanto, como preconiza a concepção da educação ambiental ético-social, não basta só os conhecimentos da educação formal, como também aqueles adquiridos fora da escola, ou seja, em seu meio de convivência, transformando-se em indivíduos críticos, capazes de entender e transformar o mundo e a sociedade. Através de pequenos gestos e “práticas verdes”, como por exemplo: reduzir a produção do seu lixo, economizar água e energia, não adquirir produtos ou equipamentos com alta capacidade de polir, você estará praticando a Educação Ambiental.