quarta-feira, 8 de junho de 2011

Uma aula de cultura e ecologia em Quixadá



Publicado originalmente no sitio www.ifce.edu.br

O campus de Quixadá promoveu, nos dias 3 e 6 de junho, a IV edição do projeto Ecotrilhas. O primeiro dia do evento foi realizado na Fazenda Não me Deixes, onde morou a escritora cearense Rachel de Queiroz, no distrito de Daniel de Queiroz. Na atividade, 20 alunos do segundo semestre do curso técnico em Guia de Turismo conduziram outros 20 novatos do mesmo curso e, aproximadamente, 50 estudantes da Escola de Ensino Fundamental Francisca Teixeira, do distrito de Califórnia, por trilhas ecológicas na fazenda.

No segundo dia, foram percorridos caminhos urbanos pelo Centro de Quixadá. Entre os locais visitados, estiveram a Catedral Municipal, ruas históricas da cidade, a Praça José de Barros e o Memorial Rachel de Queiroz, localizado no Chalé da Pedra. A atividade integra a programação de aniversário do IFCE Quixadá, que completa três anos de fundação oficial no próximo dia 10 de junho.

Segundo o professor e geógrafo Alexandre Queiroz Pereira, um dos coordenadores do evento, o Ecotrilhas combina as dimensões de ensino e extensão, ao treinar futuros guias de turismo e, ao mesmo tempo, envolver alunos das escolas públicas, geralmente de baixa renda.

A estudante Samarya Dantas, 12, da 8ª série da Escola Francisca Teixeira, foi uma das mais empolgadas ao conhecer a fazenda e a coleção de livros da romancista. “Achei a visita muito inspiradora, a casa dela incentiva a gente a escrever”, empolgou-se. “Vou sair daqui mais inspirada”, confessou a adolescente, dizendo gostar de “inventar histórias”.

Imagem: Alunos conhecem casa onde morou Rachel de Queiroz (foto: Ícaro Joathan)

Ícaro Joathan - campus de Quixadá

quarta-feira, 25 de maio de 2011

DA CRISE A EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Por Lucas da Silva

A sociedade atual passa por uma profunda crise civilizatória de caráter ambiental, provocada pela relação desastrosa entre a sociedade e o ambiente. Com seu desenvolvimento petardo, a sociedade tem provocado cenários de escassez dos recursos naturais e de impactos ambientais profundos, comprometendo a sadia qualidade de vida da atual e das futuras gerações.
Segundo cálculos da pegada ecológica (refere-se à estimativa do tamanho das áreas produtivas de terra e de mar, necessária para gerar produtos, bens e serviços que sustentam o estilo de vida de cada um de nós), a humanidade está usando os recursos naturais renováveis 21% mais rápido do que a Terra leva para renová-la. Com esse quadro, seriam necessários os recursos de 1,21% planetas Terra para sustentar indefinidamente nossa produção e consumo atuais de recursos renováveis. Se continuarmos com esse ritmo de consumo e com a exploração excessiva dos bens naturais, chegaremos a um colapso ambiental.
A pergunta fundamental é: há como evitar esse eminente colapso ambiental? A resposta é simples: sim! Para isso, temos que repensar nossos valores e atitudes, e criarmos uma cultura preservacionista e conservacionista, cunhando hábitos e valores que visem o uso sustentável dos recursos naturais com solo e água, que consistem nos bens de produção, seja nos espaços urbanos ou rurais. Estabelecer uma cultura ambiental é criar novos mecanismos de adaptação cultural, que nos permitam voltar a um ponto de relação harmônica ente natureza, ou seja, um ponto de equilíbrio, que tínhamos anteriormente.
No entanto, para Rodriguez & Silva (2009), o mais importante instrumentos de adaptação cultural é a Educação, pois só ela permite transmitir as características fundamentais da cultura, das técnicas e tecnologias vitais para a sociedade, encaminhada, deste modo, assimilar as normas e conteúdos básicos para consolidar a cultura. É com a educação que conheceremos, descobriremos novos sentimentos, valores, idéias, costumes e papéis sociais.
A educação ambiental é um processo de aprendizagem relacionada à interação entre o homem e seu espaço, através de conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do seu meio. Visa também formar valores ambientais, ou ainda, “valores verdes” contrapondo aos atuais valores da modernidade.
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais, no ambiente escolar o aluno deve perceber-se integrante, dependente e agente transformador do ambiente, identificando seus elementos e as interações entre eles, contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente, sendo este o mais propício para a prática da Educação Ambiental. A Política Nacional de Educação Ambiental (E.A.) prevê obrigatoriedade da inclusão do ensino da E.A. no ensino regular de todos os níveis e modalidade de ensino, seja como disciplina regular ou de forma transversais.
No entanto, como preconiza a concepção da educação ambiental ético-social, não basta só os conhecimentos da educação formal, como também aqueles adquiridos fora da escola, ou seja, em seu meio de convivência, transformando-se em indivíduos críticos, capazes de entender e transformar o mundo e a sociedade. Através de pequenos gestos e “práticas verdes”, como por exemplo: reduzir a produção do seu lixo, economizar água e energia, não adquirir produtos ou equipamentos com alta capacidade de polir, você estará praticando a Educação Ambiental.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

E o lazer? Uma questão para o Guia de turismo.

Por Daniel Pinto Gomes*

Olá, ó mundo! Olá colegas e amigos do Quixadá! Venho neste texto expor um pouco sobre as ações e re-flexões que constroem a disciplina de Dinâmica e Lazer do curso de formação técnica em Guiamento turístico do Instituto Federal do Ceará – Campus Quixadá. Muito bem, como já venho colaborando com este site há algum tempo, convém (re) lembrar aos interessados que outras temáticas foram anteriormente desenvolvidas em Manifesto no/do lazer e Brinquedos da memória: o melhor da infância.

Com o início das aulas de Dinâmica e Lazer no semestre 2011.1, me pus a refletir sobre os conceitos e atividades desenvolvidas pela mesma disciplina no semestre anterior. Em forma de superação do que muitas pessoas podem pensar sobre a abordagem do lazer numa formação técnica, fomos à busca de ir além do saber-fazer clientelista, apontado por aqueles que almejam uma formação meramente “empreendedora”, tomando como objetivo principal condicionarmos criticamente nosso próprio olhar-pensar sobre o que-fazer revolucionário característico das atividades de lazer.

Fácil seria para o guia de turismo gritar em leilão e vender “alegria”, “diversão” e “aventura”, todos embrulhados para consumo fetichizado e alienado de nosso tempo livre (um direito social que nestes moldes, dura pouco, custa caro e tem somente provocado uma hegemonização das práticas de lazer). Lembro ainda da exclusão social dada por conta da comercialização e privatização do lazer e seus espaços. Shopping Center, Fast Foods, Coffee Break, Play-Grounds, enfim, já está tudo pronto, a nós resta à aplicação nas cadernetas de poupança e o consumo conforme incita a “cama elástica”.

E, há ainda alguns por aí que permanecem na comensurada ilusão de que quanto mais se comercializa mais “se cresce”, quanto mais mercadoria se tem mais se ganha, quanto mais é descartável o lazer mais se vende uma moda, confunde-se o progresso com o regresso, confunde-se o sujeitar-se com a emancipação, confunde-se inclusive produção e consumo. Antes de se vender é preciso se valorizar, antes de querer atrair é preciso se reconhecer, antes de tudo é preciso ter identidade comunitária. Mas, como aprofundar uma discussão sobre o lazer que o perceba, como queria Dumazedier, como um tempo de revolução cultural?

O guia de turismo com seus problemas de profissionalização, formação e responsabilidade social, estão nos servindo como mote de discussão na disciplina de Dinâmica e Lazer.

Em O direito à preguiça Paul Lafargue nos fala sobre o dogma desastroso do trabalho, sobre as “bênçãos” ao trabalhador causado pela carga excessiva de trabalho e ainda sobre as mazelas que se seguem a superprodução no trabalho. Disso ressurgimos, e quais as doenças oriundas do trabalho cotidiano dos guias de turismo? E, quais os prejuízos provocados às comunidades visitadas pela superprodução encomendada ao Guia de turismo?



Também temos tratado de diferenciar lazer e jogo, ou lazer e lúdico, caminhando rumo às classificações destas atividades. Entendendo o lazer como tempo-livre, como tempo de não-trabalho, se abriu margem para pensarmos no fim do dia, no fim de semana, nas férias e na aposentadoria, e, compreendendo o lúdico como a significação diferida entre a alegria, o divertimento e a tensão, como quer Huizinga, abrimos espaço para reconhecermos os jogos de competição, os jogos de apostas, os jogos de representações e os jogos de vertigem, apontados por Roger Caillois.

Discutimos, ainda, sobre a importância e os valores que podem repercutir para uma cidade a composição de um Sistema Urbano de Recreação. Com o fim de nossa primeira etapa, que considero uma base conceitual para nosso segundo momento, passaremos adiante com as discussões sobre planejamento de atividades de lazer para grupos de turistas. Oficinas de atividades lúdicas, seminários temáticos e analise das práticas de lazer da região, estão entre as ações planejadas.

*Graduado em Educação Física (UECE), Especializando em Cultura folclórica aplicada (IFCE) e mestrando em Educação brasileira (UFC). Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE - Campi Quixadá) atuando nas seguintes áreas: Lazer, Cultura e Educação Física. danielpintogomes@hotmail.com