sexta-feira, 9 de abril de 2010

Nossas pesquisas - Identidades regionais e turismo

O professor Eduardo Lúcio do Amaral, historiador, integrante do grupo de pesquisa, vem discutindo os temas identidades regionais e turismo. A seguir, um resumo de seus escritos sobre o tema.

O objetivo principal da pesquisa é elucidar os vínculos entre o turismo, compreendido não apenas como atividade econômica, mas também como uma das necessidades do homem moderno, e as identidades regionais. Metodologicamente, busca-se a problematização do conceito de identidade, avançando nas relações históricas entre identidade e turismo. Finalmente, procura-se apontar dentre as especificidades dos sertões nordestinos, toda a gama de manifestações culturais que a singularizam no conjunto da cultura brasileira, fornecendo o embasamento para um intercurso entre a região e o turismo.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Democratização das Possibilidades



Escrito por Alexandre Queiroz Pereira, publicado no Jornal O Povo

Na atualidade as manchetes vinculam uma “quase” unanimidade: o planeta vem perdendo drasticamente sua biodiversidade. A fauna e a flora, componentes de ecossistemas raros, são dizimadas dia-a-dia pela indústria, pela agropecuária e pela urbanização. Todavia, há outro grande problema não diretamente comentado: o desperdício cruel de potenciais talentos humanos.
Há algumas décadas, a sociologia e a antropologia denunciam uma preocupante perca da sociodiversidade mundial. Quer dizer, inúmeras técnicas, costumes, ancestralidades, modos de vida dissolvem continuamente devido, principalmente, a expropriação dos povos nativos dos seus espaços (florestas, margens dos rios, sertão, zona costeira etc). Sabe-se que a cultura é uma manifestação social mutante, todavia, as transformações devem partir de uma escolha social e não de imposições, ou seja, a mudança enquanto possibilidade e não como pseudodestino (natural).
Além das consequências drásticas retro mencionadas, ocorre outro movimento mais sutil, mas não menos sórdido: a usurpação das possibilidades de conhecer. Grande parte da humanidade deixa de existir diariamente sem acessar a imensidão de conhecimentos socialmente produzidos. Compreendemos que o conhecimento formal (escolas, universidades, centros de pesquisas etc) não é a única expressão sociocultural existente, contudo, jamais poderemos desprezar os conhecimentos químicos, físicos, matemáticos, histórico-geográficos, sociológicos e ambientais até aqui construídos. Também não seria sensato desprezar as várias esferas artísticas; a experiência dos grandes gênios da pintura, da música, do cinema, do teatro e da literatura. Pelo contrário, torna-se urgente democratizar toda essa produção social e com isso possibilitar que novos talentos surjam.
Imaginemos quantos jovens brasileiros talentosos nem mesmo descobrem seus talentos. Nossa educação básica é falha e os meios de comunicação de massa (principalmente a televisão) reproduzem a mesmice e tolhem a criatividade. Aristóteles dizia que a matéria transforma-se a partir do movimento entre ato e potência. Somos ato sempre em potência de nos transformamos. O produto desde movimento, em grande parte, depende das condições socioeducacionais nas quais estamos emersos, circunscritos, embebidos e rodeados. É preciso elaborar mecanismos capazes de conduzir esse processo. Nosso País quer democratizar o acesso ao uso da internet em alta velocidade, mas não consegue propor políticas efetivas de barateamento dos livros.
As funções da escola básica e os conteúdos disciplinares vêem constantemente sendo reduzidos a uma antecâmara do vestibular. Somente um período pelo qual todos devem passar. A literatura, as línguas, as ciências, as humanidades devem ser trabalhadas não para responder a uma prova, mas para possibilitar aos alunos um conjunto de escolhas e visões de mundo, para que daí eles mesmos possam construir as suas.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A tecnificação do homem ou a humanização das técnicas?

Escrito por Alexandre Queiroz Pereira, publicado no Jornal O Povo

A técnica e a tecnologia representam para muitos analistas sinônimos de modernidade e progresso. Neste sentido, a educação técnica, e com isso, a formação de uma legião de técnicos concretiza o interesse de muitos que consideram tal fato como propulsor de melhorias nas condições de vida da população. Restam-nos, todavia, elaborar algumas questões: a técnica representa um fim em si mesmo? O homem tecnificado é sensível as condições sociopolíticas contemporâneas? A educação técnicas amplia ou fecha horizontes?
A questão inicial gira em torno da inacreditável, mas divulgada, idéia de que há neutralidade nas técnicas. Estas são produzidas em pacotes e vinculam-se a interesses dominantes, principalmente, as forças do Mercado (e seus agentes principais o Estado moderno e as empresas). Tais segmentos sociais, politicamente organizam e divulgam padrões técnicos que consolidam modelos de consumo e relações sociais cotidianos.
É sabido que as transformações econômicas, políticas, culturais e territoriais jamais alcançaram uma dinâmica tão intensa como no presente. Assim, os homens da técnica precisam ir além de sua formação robóticas, laboratorial, exata e racional; a eles é necessário confrontar o humanismo, a arte e o sensível. O pensamento moderno um dia imaginou uma sociedade melhor apenas pela imposição da racionalidade aos diversos ramos da vida. No entanto, as duas grandes guerras mundiais do século XX, a destruição continuada dos ecossistemas terrestres e a ampliação da miséria, subnutrição e fome crônica, demonstraram que algo deu errado no plano modernizador.
A educação técnica não se pode descartar. Não é este o argumento. Porém, a formação dos técnicos promovida por qualquer instituição (primordialmente, as públicas) deve proporcionar, em seus currículos, além do repasse competente dos procedimentos científicos, uma visão de mundo que supere o medíocre desejo de compor o mercado de trabalho. A sensibilidade é necessária. Formemos técnicos, mas também, humanistas utópicos esperançosos por mudanças em direção da justiça social.